Marshall Rosenberg: quem criou a CNV e o que ele queria mesmo
- Erika Moulin
- 28 de jun.
- 2 min de leitura
Tem uma frase de Marshall Rosenberg que eu nunca esqueci.
"Se eu utilizo a Comunicação Não-Violenta para liberar as pessoas e não as ensino, ao mesmo tempo, a usar sua energia para transformar os sistemas do mundo, então faço parte do problema. Estou essencialmente acalmando as pessoas, tornando-as mais felizes de viver nos sistemas como são."
Essa frase me lembro porque ela é incômoda. E porque ela diz muito sobre quem era esse homem.
Quem foi Marshall Rosenberg
Marshall Rosenberg nasceu em 1934 em Detroit, nos Estados Unidos, numa família judaica que viveu de perto a violência racial da cidade. Essa experiência precoce com conflito e exclusão moldou as perguntas que ele carregou pelo resto da vida: por que algumas pessoas, em situações difíceis, agem com compaixão — e outras, com crueldade?
Ele se tornou psicólogo, estudou com Carl Rogers — criador da abordagem centrada na pessoa — e passou décadas desenvolvendo o que chamou de Nonviolent Communication, a CNV.
Morreu em 2015, depois de ter treinado pessoas em mais de 60 países, de zonas de conflito no Oriente Médio a escolas no interior dos Estados Unidos.
O que ele realmente queria
Rosenberg não queria ensinar técnicas de comunicação.
Ele queria mudar a forma como seres humanos se relacionam — consigo mesmos, entre si, e com os sistemas que organizam a sociedade.
A CNV nasceu do que ele chamava de "linguagem alienante da vida": julgamentos, rótulos, exigências, culpa, vergonha. Ele acreditava que essa linguagem é aprendida — e que portanto pode ser desaprendida.
No lugar dessa linguagem, ele propunha outra: baseada em observação, sentimentos, necessidades e pedidos. Quatro elementos simples. Uma mudança de paradigma enorme.
O que me marcou no contato com essa obra
Tive 360 horas de imersão em CNV com treinadores formados pelo CNVC — o centro internacional fundado pelo próprio Rosenberg. E o que mais me ficou não foi nenhuma técnica.
Foi a pergunta que a CNV coloca de forma implacável: o que está vivo em você agora?
Não o que você deveria sentir. Não o que os outros esperam de você. O que está presente, de verdade, nesse momento.
Essa pergunta muda tudo. E é por isso que continuo aqui, praticando e facilitando.
Por onde começar com Rosenberg
O livro de referência é Comunicação Não-Violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais, publicado no Brasil pela Ângra Editorial. É uma leitura acessível e direta.
Mas como todo trabalho que envolve autoconhecimento: ler é só o começo. A prática é onde a transformação acontece.
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